13
Mar
09

Zombie na caneca

recDepois de ver [REC] – um filme espanhol de zombies – fiquei a pensar se não estaremos a ser demasiado duros com estas nobres criaturas que há muitos anos nos acompanham e tanto têm contribuído para a riqueza de Hollywood.

Os zombies têm hábitos de higiene deploráveis, graves distúrbios alimentares e alguns problemas de comunicação – mas será que a nossa reacção quando os vemos tem sempre de ser a mesma, berrar que nem uns doidos, correr para longe, desatar aos tiros, atacá-los à machadada, partir-lhes o pescoço ou esmagar-lhes o crânio?

Seria de esperar que um filme feito fora do circuito comercial de Hollywood contribuísse com uma visão mais equilibrada da relação entre zombies e humanos. Infelizmente, [REC] não acrescenta nada de positivo: sempre que um zombie corre de braços abertos em direcção a um ser humano é por desejar apertar-lhe o pescoço, não por querer abraçá-lo fraternalmente – o filme está cheio de equívocos e preconceitos deste tipo, como se um zombie também não sentisse necessidade de calor humano. Pessoalmente acho isto escandaloso.

Em nenhum momento [REC] nos mostra como deve ser difícil e dura a vida de um zombie. O tom amarelado da pele revela problemas de fígado e de rins que podem ser fatais mesmo para um morto-vivo; muitos deles estão mais mortos que vivos. Estar mais morto que vivo pode ser apenas uma maneira de dizer para os seres humanos, mas é uma autêntica navalhada no orgulho zombie.
Outro exemplo: quando são atingidos a tiro, geralmente não sangram quase nada – isto deve-se ao facto de o coração já não ter força suficiente para bombear o sangue. Em vez de engendrarmos um plano qualquer para recuperar a saúde destes pobres diabos, disparamos ainda mais tiros até que o desgraçado, exausto, desista de nos querer abraçar.

Não admira portanto que a narrativa do filme dos espanhóis Jaume Balagueró e Paco Plaza se baseie exclusivamente nesta visão unidimensional e insensível do zombie. Um zombie existe apenas para perseguir, morder e comer-nos – não tem sonhos, aspirações, planos, não lê jornais, não vê televisão, não aderiu ao Twitter, o máximo que conseguiu foi entrar num teledisco do Michael Jackson – é uma pena que estas maravilhosas e bonitas criaturas (qualquer trapo lhes fica bem) nos sejam sempre apresentadas sem qualquer densidade psicológica, mesmo quando nos comem o cérebro.
Os diálogos entre seres humanos e zombies acabam, sem grande surpresa, por se revelar demasiado pobres. Das gargantas putrefactas das pobres criaturas o máximo que sai é um «aaarrrghhhhhh» ou um «craaaiiiphffff» – embora muito expressivos, todos sabemos que seriam capazes de ser mais eloquentes se lhes dessem mais oportunidades.

Em [REC], é sempre o ponto de vista do ser humano que prevalece. Ali todos os zombies são carnívoros – mais um cliché que ignora todos os mortos-vivos que, com grande sacrifício pessoal e profissional, se tornaram vegetarianos e nunca mais tocaram num bitoque mal passado com batata frita e ovo estrelado.

Limitados ao eterno acto de perseguir, gritar, abrir os braços, morder, comer, desaparecer e reaparecer, os zombies de [REC] são meros escravos de um hipotético desejo humano de ser continuamente perseguido, mordido e, se possível, comido. Os realizadores de [REC] são uns tarados sem qualquer possibilidade de remissão.

in bitaites

LINDO xD

Confesso que nunca pensei muito neste aspecto da “vida” dos Zombies x)

Deixo aqui os meus parabens a quem escreveu este excelente artigo x)

 


5 Responses to “Zombie na caneca”


  1. 1 Larissa
    Setembro 26, 2009 às 8:16 pm

    Cara, falando sério, vc tinha que ser renomado por isso. Ficou simplismente, perfeito.

    Ps.: assistí [REC] – fiquei duas noites sem domir; kkkkkkkkkkkkk’

    Parabéns, amei meesmo o texto.

  2. 2 zumbi
    Outubro 4, 2009 às 5:26 am

    é zuera esse texto né? pq foi a unica explicação q vi pra isso ……
    sentimentos do zumbi? vamos conseguir uma explicação cientifica verdadeira que prove essa zoação q escreveram aí … onde é q ZUMBI (reclama de ser americanizado, mas quem escreveu, escreveu zombie, en inglês… é uma maravilha isso ¬¬)
    então vamos todos abraçar bichos mortos, podres, já q não tem muita diferença mesmo …. tá tudo morto! a diferenã é q uns se mexem, né? Adoro filmes de zumbi, claro, todos fictícios, já que ZUMBI NAO EXISTE DE VERDADE

  3. 3 zumbi
    Outubro 4, 2009 às 5:31 am

    sentimentos dos zumbis … pffff
    quem sabe né? se fizerem um filme onde zumbis estão em reunião, cantando e festejando … aí quem sabe os diretores de filmes possam mudar de ideia e fazer um Titanic versao morto-vivo …auhsuahsuahsua, com direito a cena de beijo e amor no banco de tras do carro (tlvz nao embace o vidro, já q não tem respiração mesmo, nem calor …..

    peraí, as vezes estamos falando od escravo zumbi e eu to boiando aqui …. se for, mals ae galera. ……. aushaushuahsua

    vocês são loucos e me divertem …. ficar a toa é divertido as vezes …auhsauhsuahsua

  4. 4 Larissa
    Novembro 27, 2009 às 2:26 pm

    Ah, eu gostei *–*

  5. 5 Marcelo
    Janeiro 26, 2010 às 3:12 am

    Man’.. Esse Filmee pé Maraaa’…

    Mtooo Lokoo.. Eu e meu PRimoo Assistimos.. ele é tdoo GENTEE DIA 02/04/10 vai passar REC 2 REC 2

    Amoo REC


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